Acolher-se como ferramenta primordial da organização pessoal



Faz tempo que não escrevo nada aqui. Ultimamente não vinha me sentindo digna de falar mais profundamente sobre organização pessoal no blog pois a minha, está em readaptação. Passamos por um ano turbulento, e viramos o ano na esperança de que a pandemia pudesse estar num estágio menos crítico do que o de agora, e infelizmente, chegamos num nível pior do que já estávamos. Se alguém para e te diz que sua organização, planejamento ou produtividade não foi abalado pelo contexto social, político ou econômico brasileiro durante a crise provocada pela covid-19, fique calma, não é você quem precisa de ajuda, e sim, a pessoa que se coloca apática e indiferente a nossa atual situação. "Não é improdutividade, estamos numa pandemia!" - Thaís Godinho, Vida Organizada

Hoje, decidi falar sobre acolhimento, mesmo não sendo nenhuma especialista em psicologia, saúde holística e autocuidado. Uma atitude audaciosa frente a uma geração que exige que para falar de algo, é preciso ter autoridade na área. Concordo em partes. Acredito que para falar sobre algo, é necessário conhecimento de causa, agora, silenciar-se por não dominar um assunto e evitar aprender a partir de suas próprias experiências, e buscar experiências externas é onde está o problema. Acolher nunca foi verbo tão presente em minha vida. Acho que os seis meses desde que iniciei terapia foi o passo que me deu régua e compasso para atuar de forma mais gentil comigo mesma durante a quarentena, e olha que o motivo pela qual busquei tratamento nem foi por isso. No início eu estava confiante que, por trabalhar tanto com ferramentas digitais, o home office não seria um desafio muito grande a ser enfrentado em minha organização. Foi aí que os problemas apareçam. Eu, pessoa consciente e munida de muita informação, todos os dias, por ser e estar estudante/estagiária de jornalismo, vi no excesso do hábito de informar-me, consumir conteúdo, a causa de minha agitação, falta de foco e ansiedade.

Quando digo que é necessário compreender o acolhimento como ferramenta primordial da organização pessoal, quero dizer que, frente a uma era de infoxicação, o primeiro passo para ter uma organização pessoal qualitativa, em minha opinião, é compreender-se como ser não descolado de um contexto. Ao não conseguirmos nos enxergar enquanto parte do todo, tendemos a acreditar que se não conseguirmos planejar ou produzir como gostaríamos, a culpa é única e exclusivamente nossa, nos impedimos de ver o mundo fora da caixa. Reduzimos nossa linha de raciocínio a uma bolha. Grande parte dessa sensação de culpa por não "trabalhar enquanto eles dormem", vem do discurso de produtividade tóxica imposta por sua vez, pela ideia meritocracia. Recentemente, após repensar a comunicação do Se Organiza, Bonita! como um todo, mudando inclusive um pouco da identidade visual dos materiais publicados no Instagram, expliquei porque o nosso slogan agora é "organização pessoal acessível, produtividade e autoconhecimento sem caô de meritocracia". Deixarei abaixo um trecho da explicação: "A meritocracia apesar de possuir sentido polissêmico (ou seja, mais de um sentido), de forma genérica, pode ser considerada como a ideia de que as pessoas devem se destacar não com base na classe social de seus pais, ou do ambiente a qual estão inseridas, mas sim com base em suas próprias conquistas - em quão produtivas e habilidosas elas são. Parece fazer sentido, não é? Mas vou te explicar o problema. A meritocracia é um conceito que só funcionaria se colocada em contexto de igualdade. Este não é o caso do Brasil e nem mesmo do mundo. Assim, esse sistema é um banner ideológico (uma bandeira) das elites", conto. Veja esse post aqui.

"Já percebeu quantas vezes você se sentiu culpada por não conseguir estar logo aos 20 anos numa posição de destaque de x ou y empresa? E quantas vezes você resolveu dar um tempo da Internet e redes sociais mas achou que estava procastinando? Esses são poucos exemplos, poderia citar vários. Essas sensações são produzidas estrategicamente". Assim, como disse a Thais Godinho recentemente em seu Instagram, no momento, o que muita gente pensa que é improdutividade, se trata de uma pandemia. E quando isolamos a pandemia e pensamos nos momentos em que vivíamos dentro do "normal", lembre-se que vivemos num país racista, machista, lgtfóbico e muito mais. Antes de acreditar que você é a causa de todo mal que está acontecendo consigo mesmo ou ao seu redor: ACOLHA-SE. Escute o que sua mente, coração e corpo dizem. Acorde para as ferramentas acessíveis de acolhimento que podem está aí, bem de junto de você. Uma erva, ou uma fruta quem sabe. Não há organização onde não há animação. Por mais que você force, há dias em que não haverá nada mais produtivo que você possa fazer, a não ser, descansar.

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