Online não quer dizer disponível


Arte: Leandra Gonçalves da Cabana Criativa


Esse assunto tem a ver comigo, com você (talvez) e com inúmeras questões que envolvem o trabalho online, remoto, home office, seja lá como queiram chamar. Com a pandemia do novo coronavírus, o Brasil se tornou o terceiro país onde o trabalho em esquema de home office mais cresce. A informação é dado de uma pesquisa da Robert Half, empresa de recrutamento especializado. Mas a pergunta que não quer calar é: e as pessoas cujo o trabalho em home office sempre existiu de maneira parcial ou completa? Aqui falo de trabalhadores freelancers, autônomonos, artistas, comunicólogos, designers, filmakers, assessores de imprensa e etc? Essas pessoas, elas não existem para as pesquisas? Busquei informações que fossem além daquilo que já é “sabido” por nós. Mães são as pessoas mais sobrecarregadas durante a pandemia, em especial, aquelas que cuidam de crianças de colo ou em idade de educação primária, mas não encontrei nenhum resultado satisfatório para mim, portanto, decidi escrever esse artigo. Online não quer dizer disponível, mas ainda assim, há um largo caminho a ser percorrido para que as pessoas compreendam o fato e isso diz respeito sobretudo as desiguldades sociais existentes em nosso país, pois elas não permitem que todas as pessoas dele tenham acesso a informação alternativa, como por exemplo, alcançarem esse texto, muito menos que também trabalhem em esquema home office. Quando não há identificação, não há empatia e portanto suponho que alguém que não trabalha da mesma forma que eu, boa parte do dia no computador ou no celular, muito dificilmente essa pessoa compreenderá que esse é o meu trabalho e muito menos que quando estou online indpendente de qualquer horário, isso não significa estar disponível, mas isso também, não é 100% culpa dela. Você já se perguntou a razão pela qual o WhatsApp a exemplo não permite que mesmo com opções de privacidade estejamos online sem que as pessoas saibam? Online para quem não faz parte desse mundo quer dizer online e entendi isso quando minha terapeuta olhou para mim e disse “para você é diferente. Geralmente nós que não trabalhamos com comunicação usamos as redes sociais para a descontração” e foi aí que a minha ficha caiu e passei a me questionar, “qual a minha responsabilidade diante desse cenário?”. Comecei a pensar sobre estar numa posição confortável ou não em comparação com outros perfis profissionais até entender que não. Não. Sobretudo se colorcamos na mesa situações onde os colaboradores não foram amparados no sentido de obter estrutura (computador, luz, telefone e etc) quando estes são funcionários de empresas. Quando me volto aos freelas, autônomos, respondo que menos ainda, especialmente porque ser uma EUquipe é como enfrentar o olho do furacão numa era de infoxicação onde ser mais produtivo é a nova bola da vez, e enquanto essa bola rola no meio de campo, sobrecargas são empurradas gramado abaixo, sendo esquecidas. Perfis e mais perfis surgem nos ensinando a como produzir mais e se esquecem do ponto: como produzir melhor sem adoecer especialmente no meio de uma pandemia? “Depois que me senti desobrigada a responder todas as mensagens e notificações, a minha vida conseguiu voltar a caminhar. Tem um problema muito grave na maneira em que nos comunicamos hoje, e entender que o tempo das máquinas é diferente do tempo de seres humanos é fundamental, mas ainda é bem difícil para muitas pessoas”, comentou Rafaela Ferreira, criadora do Trabalho Preto, graduanda em Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA). E para tratar sobre como se desobrigar de estar disponível o tempo todo, vamos continuar esse bate-papo através dos comentários? Outra forma de interagir comigo é encaminhando um e-mail para seorganizabonita@gmail.com

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