Porque resolvi passar meu planejamento para o digital


Crédito: Pauline Bernad via Unsplash


Se há pelo menos 15 dias atrás alguém me dissesse que eu passaria da fase de taquicardia ao pesquisar sobre o Notion, e que eu iria passar a utilizá-lo como ferramenta centralizadora de organização pessoal e planejamento, diria que essa pessoa estaria brincando, mas hoje essa é a minha realidade. Estou em fase de transição do manual para o digital. Nesse post, enquanto não crio coragem para retornar ao Podcast, explicarei a você as razões disso.


Há um ano atrás resolvi empenhar esforços para utilizar mais ferramentas digitais, não porque era escolha minha mas tinha a necessidade de testá-las, afinal, faz parte do meu trabalho conhecer e fornecer opinião crítica sobre as opções disponíveis no mercado. Anteriormente, 70% de minha organização pessoal e planejamento era por meio do planner e cadernos.


Em um momento de 2021, entrei em uma empresa de assessoria de imprensa que não tinha seus próprios processos de organização. Lá era cada um por si e quem tentava por eixo nos trilhos, acabava frustrada ou sobrecarregada. Para se ter uma ideia, o WhatsApp era a ferramenta central de comunicação entre membros da equipe e também com toda a cartela de clientes. Tínhamos reuniões semanais e eu precisava sincronizar minha vida à nova realidade, além de mostrar a equipe que existiam inúmeras opções para evoluirmos quanto aos processos. Foi assim que decidi que usaria um app de organização para facilitar o acesso de informações do trabalho e comecei a usar o Evernote. Era uma necessidade me organizar individualmente já que o trabalho não fornecia seus meios para que pudéssemos nos adaptar a eles.


O Trello particularmente já conhecia (mas não atualizava), e durante um bom tempo, o Evernote alí naquela empresa me serviu, mas depois, sua limitação de funções passou a me incomodar, essencialmente porque como uma trabalhadora da comunicação, suas funções não eram suficientes para mim.


Em maio de 2021 uma colega de estrada citou o Notion em uma entrevista para o Podcast cujo objetivo era conhecer sua organização em torno de seu empreendimento, na época, uma agência de comunicação. Eu tinha críticas a plataforma e sua popularização já que considero a necessidade de pensar em estratégias assertivas e acessíveis de educação na área de organização pessoal.


O Notion até os dias atuais - há de se considerar se você quer utilizá-lo, - não fornece a opção de linguagem em português, embora em 2020 o número de usuários ativos fosse em torno de mais de 4 milhões espalhados pelo mundo. Saiba mais aqui. Além disso, suas funções são múltiplas e a cara das pessoas que fala sobre ele, de forma geral é branca e podemos imaginar a razão.


Indo aos fatos: sempre me senti bastante ansiosa só de falar em Notion, e só me dei conta que era devido a não me ver representada em quase nenhum dos conteúdos acessados sobre o mesmo, além da FOMO, uma patologia psicológica que se produz pelo medo de ficar fora do mundo tecnológico ou a não se desenvolver ao mesmo ritmo que a tecnologia (como se fosse possível).


Nunca fui defensora da organização e planejamento 100% digital, embora saiba que a tendência é de cada vez crescer mais esse modus operandi. Corro ao lado da ciência que defende a escrita manual para o aprimoramento do cérebro. Ainda assim, sei o quanto gerenciamento de tempo é um processo importante e nesse quesito, as ferramentas digitais são excelentes direcionadores.


Em fevereiro deste ano (2022) comecei a trabalhar fixo (8h por dia) como designer e passei a repensar como administraria as outras horas do dia com a clara compreensão de que minha energia estaria quase que 100% direcionada para esse novo desafio. No entanto, jamais pensei abandonar o Se Organiza, Bonita! ou outros projetos pessoais. Assim, o Notion surgiu mais uma vez como uma opção para centralizar minhas demandas pessoais e profissionais, sobretudo em razão do trabalho home-office e os possíveis deslocamentos geográficos.


Se vocês me perguntarem se recomendo o Notion para uma pessoa em situação de visível sobrecarga como eu e que não tenha ou esteja em posição de delegar nenhuma demanda, a resposta é sim. Agora, se você não está preparada e disposta o suficiente para criar novos hábitos, a resposta é não.


Certamente os comandos do cérebro para usar um planner são uns, para usar o Notion, outros. Estou aos poucos criando o hábito de ele ser o primeiro site aberto no meu navegador antes do expediente. A primeira semana foi incrível, e na segunda, declinei em alguns dias. mas tenho conseguido prosperar bem.


Como tenho me organizado nele? Uma entrada para coisas pessoais e outra para profissionais. No aspecto pessoal, repassei minhas metas anuais, diário de terapia, anotações avulsas, agenda, o planejamento de abril e o planejamento semanal de abril. Tenho utilizado bastante a opção de to-do lists nele, além da metodologia Kanban em alguns momentos. A priori não irei mostrá-lo mas deixo abaixo o vídeo que me fez sentir que era possível passar a utilizar o app/site/software e ao mesmo tempo, criar meu próprio modelo de organização



Vídeo do Simples Forma sobre como criar uma home no Notion






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